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Tempo

Antes era uma ilusão de felicidade plena por conquistas óbvias Óbvias pelo tempo que teriam para serem alcançadas Hoje tudo parece tão distante e a estrada à frente chega tão rápido que já não é possível ver os detalhes pela janela Um milênio há vinte anos e hoje já se passaram dez. Por que chegas tão rápido, inexorável amanhã?  E por que não restam tréguas para o engano?

O Museu

Um concerto assombroso no fim do domingo Chamas mostravam o espetáculo tétrico de quem dança ao vento e debocha da água de quem reina no caos, apagando o passado e ataca a ciência, aniquilando o futuro O que seria possível agora quando já se eliminou a arte, roubou-se a história e inibiu-se a descoberta? Ao final, quem sabe, se constataria que o descaso nunca permanece incólume

Respostas

Se perguntassem de onde vinha, ele não respondia Continuava sua longa caminhada em busca das respostas para as peguntas de seus questionadores Nem ele, com todo o seu conhecimento, sabia, ao certo sua missão Apenas lembrava-se que no seu antigo mundo todos viviam mais quietos E não se dirigiam a ele Suas vidas eram ocupadas demais para isso. No seu antigo mundo ele não perguntava Preferia ouvir o que um dia poderiam dizer

A escolha

Viviam juntos na montanha Não ousavam sair de lá Certos estavam de que lá embaixo não encontrariam paz A paz da brisa, a paz da quietude Não, lá não haveria tranquilidade  Muitos de perguntavam: o que fazem lá, sós? Sós estavam, mas felizes viveram E na montanha permaneceram, até o fim de suas vidas Nunca se arrependeram

Alucinações

Via assombrosos olhares que não lhe viam Repudiava as atenções que não lhe davam Jamais entendeu Quão irracional era o desejo de não ser notado De ser invisível para todos Os pesadelos reafirmavam sua certeza E assim ele vivia Aprisionado em seu delírio​

Alívio

Quisera mudar a realidade           Não para todos, não o mundo lá fora                                              Mas sim aquela que só pode ser vivida por quem a deixou nascer Involuntária, criada pelas circunstâncias                               Impossível  acessá-la de modo que pudesse matá-la                                                  Por isso a fez adormecer     

Contrárias

Os olhos querem letras livres, impregnadas de valor facultativo e imaginação  Os dedos correm para falar do imprevisível, do agora não calculável, não culpável, isento de erro Mas dura é a pedra com a qual se deve talhar o amanhã e o que faz dele possível é a palavra que impõe regras, a arraigada de valores, a não passível de versões, a não livre, a enclausurada no abismo do que lhe é posto  São felizes, porém, os olhos quando analisam o que está feito pela métrica do autorizado    Regozijam-se também os dedos ao reproduzir não o que  encanta, se isso impulsiona o amanhã que se precisa ter  A luta é  árdua: o precisar dói, mesmo quando está de acordo com o gostar

Verdades

Calmo é o mar revolto após o naufrágio impedido Livre é o prisioneiro na cela após escapar da fogueira Bela é a cidade em ruínas após o fim da guerra Saborosa é a água salobra após a sede no deserto Rica é a vida do pobre após sobreviver ao abismo

Ser Humano

O amanhecer fez nascer a saudade da Lua A luz do Sol trouxe o desejo pelas gotas de chuva A paisagem bucólica não é mais admirada por aqueles que reclamavam da cidade grande O frio traz de volta não só os agasalhos, mas também os suspiros pelo calor A música repetida à exaustão agora irrita por sua simples lembrança

Giovanna

Nasceu uma princesinha Tão pequenina Que preenche os nossos corações como se gigante fosse Trouxe alegria e esperança   Agora nos surpreende a cada dia E nos encanta com seus olhos azuis...

O Sol

Ele precisava de calor E certa vez encontrou uma fogueira Era bom tê-la perto. Aquecia-lhe Como era bom estar ali Mas quando tinha que se afastar, não sentia tanta falta Só precisava dela quando o frio chegava Um dia a fogueira apagou E ele sentiu  falta daquele calor Achou que nunca mais encontraria sensação igual Até que encontrou o  Sol Incomparável não só nos momentos de frio Sentia sua falta não só por seu calor Amava a sua beleza E seu brilho.

Inesperado

Luzes claras em meio à escuridão da incerteza Após o período de dúvidas, surge sem disfarce a mais completa personificação da realidade Depois de um dia de sombras, o sol clareia e ilumina o que estava encoberto A novidade apareceu quando tudo tornava-se novo Veio para somar-se à transformação Transformação que se pautava pela esperança Ansiava por dias alegres; não os tinha, mas plantava as sementes para tê-los em breve Surpresa ao ver que a felicidade chegava mais rápido, precipitava-se, negava a perspectiva Ela já existia.

Outono

Outono   Estação mais bela   Calma Brisa suave e fresca   Sol que conforta   Céu azul que pode ser observado   Leve neblina na manhã Vontade de sair, de ver o dia, de ver a noite, as estrelas, a vida

Felicidade

Não é certo renunciar à felicidade por medo da realidade Se a vida é breve,cada momento é único e merece ter como cenário um clima alegre e como personagens pessoas felizes. Por que utilizar todo o tipo de advertência com o intuito de evitar surpresas? Por que dizer que o que agora está bom sera mau?  Não faz sentido, pois que tipo de felicidade é eterna? E que tipo de sofrimento é previsível?

A noite

De tão bela, é indescritível Poder-se ia passar todo o tempo tentando definir o quão maravilhoso é olhar um céu estrelado Mas seria tudo em vão. Não deve haver pretensão de saber descrever essa beleza que pouco se conhece   E mesmo houvesse, os adjetivos disponíveis não seriam suficientes É realmente belo o universo. E sua beleza se torna ainda mais impressionante com todo o mistério que a cerca Deve-se, sim, aproveitar todos os momentos e apreciar nossa casa, a Terra e nossos  vizinhos distantes e brilhantes.

O jardim

No jardim de terra fértil havia flores vistosas e belas, que sempre recebiam visita dos melhores polinizadores O jardim ao lado, seco e infestado por ervas daninhas, ressentia-se da falta dos pássaros Ao longo do tempo, percebeu-se que aquela situação desigual criara uma realidade triste Ervas parasitas do jardim infértil cresceram e alcançaram o belo jardim de flores fartas Logo toda a seiva das flores foi sugada pela erva invasora Onde havia harmonia se fez o caos Se ao menos os pássaros tivessem feito algumas visitas ao pobre jardim no passado...

Quando a noite chega

Nas esquinas eles estavam enquanto a noite não chegava Mais tarde, enquanto estavam em casa, algo despertou-lhes a atenção  Ninguém costumava chamá-los àquela hora da noite A casa já estava fechada, eles já iam se recolher, porém ouviram um grito suplicante Eles se entreolharam e lembraram do que um antigo e sábio morador do local havia falado. para que nunca ninguém atendesse um chamado tarde da noite. Que coisas muito ruins podiam acontecer a pessoas boas  E resolveram seguir as recomendações Não abriram a porta, nem responderam ao apelo O chamado cessou após mais três tentativas Eles então resolveram olhar pela janela e um terror tomou conta dos três Viram uma figura sombria deixar o portão, com uma roupa de frade preta e logo entenderam o que o velho sábio sempre dizia O mal existe aqui como em qualquer outro lugar.  E onde houver o bem, lá ele estará

O pedido

A chuva caia mais que o normal naquele final de tarde. Ver o arco-íris já não era mais nenhuma novidade Lembraram-se daqueles tempos de pouca água e pouca esperança. Era difícil não rezar todas as noites para que o líquido sagrado chegasse Agora toda aquela água não fazia mais sentido algum Baldes cheios, poços cheios, lagos cheios. Os lagos já transbordavam Ao olhar para o céu, todo o povoado se perguntava se já não era hora de tudo aquilo terminar  Uns reclamavam, outros esbravejavam, outros ignoravam o que acontecia, assim como ignoravam a falta da água. Assim como ignorariam qualquer outro acontecimento Dez dias de chuva ininterrupta.  Cinco dias de Sol Não importava se o Sol chegava  A chuva teimava em ficar  E se a noite caia, lá estava ela, contrastando com a beleza da lua. O tempo se passou e a chuva continuou Longo tempo sem notícias do povoado Descobriu-se a cidade submersa. Todo o povoado se foi, ninguém para contar o desfecho. E a chuva continua

O Fim

As águas estavam calmas naquela manhã de domingo Nem aqueles que temiam a força do mar tiveram receio Mergulharam Sorriram felizes Como nunca antes Eles tinham em quem confiar desta vez E confiaram Não demorou para a água ficar revolta E como antes surgiu o medo Agora sem salvação Eles já estavam longes do litoral Em quem confiar agora? Onde estava ele? Por que se foi? Para onde se foi? Estavam sós e em alto mar Medo e decepção Silêncio e a vida se foi.

Drica

Nem todos viram quando Drica passou pela rua e se despediu  Ela não desejaria ir tão rápido, porém o tempo era o que mais importava naquele momento Temia pelo que não havia terminado Pensava em como poderia melhorar a vida daqueles que esperavam por ela E esperavam por longo tempo Chamaram por seu nome, escreveram-lhe cartas urgentes, mandaram recados aflitos E agora Drica deveria partir As esperanças de quem desejava que ela ficasse diminuiam drasticamente A felicidade se fez presente para aqueles que desejavam a sua partida Nesse momento  Drica pouco se importava com as opiniões de opositores Não, Drica apenas desejava deixar aquele lugar E dar lugar aos seus   Dar-lhes resposta, dar-lhes tranquilidade. Não houve tempo para o adeus de todos Poucos viram sua partida Ninguém presenciaria o seu regresso.