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O jardim

No jardim de terra fértil havia flores vistosas e belas, que sempre recebiam visita dos melhores polinizadores O jardim ao lado, seco e infestado por ervas daninhas, ressentia-se da falta dos pássaros Ao longo do tempo, percebeu-se que aquela situação desigual criara uma realidade triste Ervas parasitas do jardim infértil cresceram e alcançaram o belo jardim de flores fartas Logo toda a seiva das flores foi sugada pela erva invasora Onde havia harmonia se fez o caos Se ao menos os pássaros tivessem feito algumas visitas ao pobre jardim no passado...

O pedido

A chuva caia mais que o normal naquele final de tarde. Ver o arco-íris já não era mais nenhuma novidade Lembraram-se daqueles tempos de pouca água e pouca esperança. Era difícil não rezar todas as noites para que o líquido sagrado chegasse Agora toda aquela água não fazia mais sentido algum Baldes cheios, poços cheios, lagos cheios. Os lagos já transbordavam Ao olhar para o céu, todo o povoado se perguntava se já não era hora de tudo aquilo terminar  Uns reclamavam, outros esbravejavam, outros ignoravam o que acontecia, assim como ignoravam a falta da água. Assim como ignorariam qualquer outro acontecimento Dez dias de chuva ininterrupta.  Cinco dias de Sol Não importava se o Sol chegava  A chuva teimava em ficar  E se a noite caia, lá estava ela, contrastando com a beleza da lua. O tempo se passou e a chuva continuou Longo tempo sem notícias do povoado Descobriu-se a cidade submersa. Todo o povoado se foi, ninguém para contar o desfecho. E a chuva continua

Atenção

Há um chamado urgente No mundo gelado Salvem-nas Há um grito de desespero Lá não há quem as defenda Salvem-nas Da crueldade Da ganância Do desespero Deixem que vivam Salvem-nas Não as deixem sós Com o inimigo Não vistam sua dor Com vaidade