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Alucinações

Via assombrosos olhares que não lhe viam Repudiava as atenções que não lhe davam Jamais entendeu Quão irracional era o desejo de não ser notado De ser invisível para todos Os pesadelos reafirmavam sua certeza E assim ele vivia Aprisionado em seu delírio​

Inesperado

Luzes claras em meio à escuridão da incerteza Após o período de dúvidas, surge sem disfarce a mais completa personificação da realidade Depois de um dia de sombras, o sol clareia e ilumina o que estava encoberto A novidade apareceu quando tudo tornava-se novo Veio para somar-se à transformação Transformação que se pautava pela esperança Ansiava por dias alegres; não os tinha, mas plantava as sementes para tê-los em breve Surpresa ao ver que a felicidade chegava mais rápido, precipitava-se, negava a perspectiva Ela já existia.

Quando a noite chega

Nas esquinas eles estavam enquanto a noite não chegava Mais tarde, enquanto estavam em casa, algo despertou-lhes a atenção  Ninguém costumava chamá-los àquela hora da noite A casa já estava fechada, eles já iam se recolher, porém ouviram um grito suplicante Eles se entreolharam e lembraram do que um antigo e sábio morador do local havia falado. para que nunca ninguém atendesse um chamado tarde da noite. Que coisas muito ruins podiam acontecer a pessoas boas  E resolveram seguir as recomendações Não abriram a porta, nem responderam ao apelo O chamado cessou após mais três tentativas Eles então resolveram olhar pela janela e um terror tomou conta dos três Viram uma figura sombria deixar o portão, com uma roupa de frade preta e logo entenderam o que o velho sábio sempre dizia O mal existe aqui como em qualquer outro lugar.  E onde houver o bem, lá ele estará

Visitantes

Dizem que eles estão vindo Dizem que se escondem entre nós Que aqui estão para tomar tudo o que possuímos Será Verdade? Eles têm um pacto com nossos semelhantes Dizem que nos escondem a verdade Que logo saberemos, mas será tarde Que tomarão o que é nosso. Será verdade? De suas casas desceram E quanto mais descerão? Para viver em nossas casas?

Quem

O som do vento não permitia sequer uma palavra Quietos ficaram quando o grande dia chegou Quem partiu um dia antes voltou para presenciar aquele momento As palavras não teriam sentido Não saberiam falar daquela aparição Eram muitos os que observavam Poucos os que não se entreolhavam Não havia quem fosse embora.Ficaram ali Com um espanto que os paralizava As luzes eram belas e intrigantes Azuis Vermelhas Verdes Cores vivas Cores da vida Talvez da morte Seria certo fugir? Correr? Ficaram parados.

O Portão

Era de se esperar que o velho portão jamais se abrisse Após aquele dia em que a decisão final fora tomada Todos levavam suas vidas normalmente A tranquilidade já reinava, após tanto caos O jardim da antiga praça já florescia novamente Pássaros voltavam a visitá-lo Olhos curiosos não mais visitavam o vilarejo Mas num momento inesperado, o portão se abriu Era fim de tarde e o crepúsculo já se aproximava Ouviu-se o ranger da dobradiça há tempos desgastada Olhos apavorados acompanhavam aquele momento Idéias desesperadas, perturbação Até que o alívio se fez presente O portão se abrira sozinho Não se sabe o porquê E ninguém do vilarejo ousou perguntar.

Eles

Têm cores belas Formas belas Magnitude majestosa Proporções assustadoras Atraem curiosidade Fascínio Dúvidas Medo Querem alcançá-los Querem apresentá-los Conquistá-los

O segredo

Era quase noite quando as duas estranhas criaturas apareceram Não havia necessidade de avisarem a chegada Apenas ficaram ali, à espreita,analisando o novo mundo agora descoberto Não demorou para que ficassem perplexos com o que viam Seus olhos enormes mal acreditavam em tamanha descoberta Suas mãos habilidosas queriam tocar tudo e tudo modificar Conversavam entre si em uma língua indecifrável Até que avistaram um bom início para suas novas vidas E convenceram aquele homem solitário a acompanhá-los Com ele aprenderam Compraram seu segredo E seu mundo dominaram