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O Museu

Um concerto assombroso no fim do domingo Chamas mostravam o espetáculo tétrico de quem dança ao vento e debocha da água de quem reina no caos, apagando o passado e ataca a ciência, aniquilando o futuro O que seria possível agora quando já se eliminou a arte, roubou-se a história e inibiu-se a descoberta? Ao final, quem sabe, se constataria que o descaso nunca permanece incólume

Respostas

Se perguntassem de onde vinha, ele não respondia Continuava sua longa caminhada em busca das respostas para as peguntas de seus questionadores Nem ele, com todo o seu conhecimento, sabia, ao certo sua missão Apenas lembrava-se que no seu antigo mundo todos viviam mais quietos E não se dirigiam a ele Suas vidas eram ocupadas demais para isso. No seu antigo mundo ele não perguntava Preferia ouvir o que um dia poderiam dizer

Alívio

Quisera mudar a realidade           Não para todos, não o mundo lá fora                                              Mas sim aquela que só pode ser vivida por quem a deixou nascer Involuntária, criada pelas circunstâncias                               Impossível  acessá-la de modo que pudesse matá-la                                                  Por isso a fez adormecer     

Contrárias

Os olhos querem letras livres, impregnadas de valor facultativo e imaginação  Os dedos correm para falar do imprevisível, do agora não calculável, não culpável, isento de erro Mas dura é a pedra com a qual se deve talhar o amanhã e o que faz dele possível é a palavra que impõe regras, a arraigada de valores, a não passível de versões, a não livre, a enclausurada no abismo do que lhe é posto  São felizes, porém, os olhos quando analisam o que está feito pela métrica do autorizado    Regozijam-se também os dedos ao reproduzir não o que  encanta, se isso impulsiona o amanhã que se precisa ter  A luta é  árdua: o precisar dói, mesmo quando está de acordo com o gostar

Verdades

Calmo é o mar revolto após o naufrágio impedido Livre é o prisioneiro na cela após escapar da fogueira Bela é a cidade em ruínas após o fim da guerra Saborosa é a água salobra após a sede no deserto Rica é a vida do pobre após sobreviver ao abismo

Ser Humano

O amanhecer fez nascer a saudade da Lua A luz do Sol trouxe o desejo pelas gotas de chuva A paisagem bucólica não é mais admirada por aqueles que reclamavam da cidade grande O frio traz de volta não só os agasalhos, mas também os suspiros pelo calor A música repetida à exaustão agora irrita por sua simples lembrança

Felicidade

Não é certo renunciar à felicidade por medo da realidade Se a vida é breve,cada momento é único e merece ter como cenário um clima alegre e como personagens pessoas felizes. Por que utilizar todo o tipo de advertência com o intuito de evitar surpresas? Por que dizer que o que agora está bom sera mau?  Não faz sentido, pois que tipo de felicidade é eterna? E que tipo de sofrimento é previsível?

Respostas

Se perguntassem a ele de onde vinha, ele não respondia Apenas continuava sua longa caminhada em busca das respostas para as peguntas de seus questionadores Nem ele, com todo o seu conhecimento sobre sua vida, seus momentos, sabia, ao certo, de onde tinha vindo Apenas lembrava-se que no seu antigo mundo todos viviam mais quietos E não se dirigiam a ele. Suas vidas eram ocupadas demais para isso. No seu antigo mundo ele não perguntava. Preferia ouvir o que um dia poderiam dizer