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Mostrando postagens de setembro, 2005

O Portão

Era de se esperar que o velho portão jamais se abrisse Após aquele dia em que a decisão final fora tomada Todos levavam suas vidas normalmente A tranquilidade já reinava, após tanto caos O jardim da antiga praça já florescia novamente Pássaros voltavam a visitá-lo Olhos curiosos não mais visitavam o vilarejo Mas num momento inesperado, o portão se abriu Era fim de tarde e o crepúsculo já se aproximava Ouviu-se o ranger da dobradiça há tempos desgastada Olhos apavorados acompanhavam aquele momento Idéias desesperadas, perturbação Até que o alívio se fez presente O portão se abrira sozinho Não se sabe o porquê E ninguém do vilarejo ousou perguntar.

Eles

Têm cores belas Formas belas Magnitude majestosa Proporções assustadoras Atraem curiosidade Fascínio Dúvidas Medo Querem alcançá-los Querem apresentá-los Conquistá-los

O segredo

Era quase noite quando as duas estranhas criaturas apareceram Não havia necessidade de avisarem a chegada Apenas ficaram ali, à espreita,analisando o novo mundo agora descoberto Não demorou para que ficassem perplexos com o que viam Seus olhos enormes mal acreditavam em tamanha descoberta Suas mãos habilidosas queriam tocar tudo e tudo modificar Conversavam entre si em uma língua indecifrável Até que avistaram um bom início para suas novas vidas E convenceram aquele homem solitário a acompanhá-los Com ele aprenderam Compraram seu segredo E seu mundo dominaram

Verdade

Olharam os pássaros da janela e juntos ficaram Ouviram o doce canto dos pássaros.Juntos ficaram O sol já se despedia.E juntos ficaram A chuva caia E juntos ficaram As folhas caiam no triste outono E juntos ficaram A janela se fechou E juntos ficaram

Lembranças

Abriu os olhos, como se não quisesse enxergar Tampou os ouvidos, como se quisesse escutar Chorou, como se alegre estivesse Gritou, como se amasse o silêncio Brigou, como se a paz o acompanhasse Dormiu, como se acordado estivesse Partiu, pois aquele era o seu lugar

Obstáculos à solidariedade

Este texto foi escrito para um concurso promovido pela Unesco, voltado a estudantes de graduação, tendo como tema a solidariedade. Na época, a redação foi selecionada entre as 300 melhores e avançou até a etapa final, realizada na Academia Brasileira de Letras. Apesar de não ter chegado à etapa final de publicação na antologia, o processo marcou profundamente minha trajetória de escrita, tanto pelo tema quanto pela experiência de produção sob tempo e avaliação. Mantive este texto como registro desse momento. A solidariedade apresenta-se na sociedade atual como uma possível solução para o panorama de incertezas e inseguranças em que vivemos.  Ao ajudarmos uns aos outros, desaceleramos a máquina do pessimismo que nos leva a crer que o amanhã tende a ser sempre pior, que apenas podemos contar com nosso próprio esforço para enfrentar as adversidades.  Por outro lado, ações solidárias não dependem somente da boa vontade daqueles que  desejam praticá-las. O desejo de a...

Atenção

Há um chamado urgente No mundo gelado Salvem-nas Há um grito de desespero Lá não há quem as defenda Salvem-nas Da crueldade Da ganância Do desespero Deixem que vivam Salvem-nas Não as deixem sós Com o inimigo Não vistam sua dor Com vaidade