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Quando a noite chega

Nas esquinas eles estavam enquanto a noite não chegava Mais tarde, enquanto estavam em casa, algo despertou-lhes a atenção  Ninguém costumava chamá-los àquela hora da noite A casa já estava fechada, eles já iam se recolher, porém ouviram um grito suplicante Eles se entreolharam e lembraram do que um antigo e sábio morador do local havia falado. para que nunca ninguém atendesse um chamado tarde da noite. Que coisas muito ruins podiam acontecer a pessoas boas  E resolveram seguir as recomendações Não abriram a porta, nem responderam ao apelo O chamado cessou após mais três tentativas Eles então resolveram olhar pela janela e um terror tomou conta dos três Viram uma figura sombria deixar o portão, com uma roupa de frade preta e logo entenderam o que o velho sábio sempre dizia O mal existe aqui como em qualquer outro lugar.  E onde houver o bem, lá ele estará

O pedido

A chuva caia mais que o normal naquele final de tarde. Ver o arco-íris já não era mais nenhuma novidade Lembraram-se daqueles tempos de pouca água e pouca esperança. Era difícil não rezar todas as noites para que o líquido sagrado chegasse Agora toda aquela água não fazia mais sentido algum Baldes cheios, poços cheios, lagos cheios. Os lagos já transbordavam Ao olhar para o céu, todo o povoado se perguntava se já não era hora de tudo aquilo terminar  Uns reclamavam, outros esbravejavam, outros ignoravam o que acontecia, assim como ignoravam a falta da água. Assim como ignorariam qualquer outro acontecimento Dez dias de chuva ininterrupta.  Cinco dias de Sol Não importava se o Sol chegava  A chuva teimava em ficar  E se a noite caia, lá estava ela, contrastando com a beleza da lua. O tempo se passou e a chuva continuou Longo tempo sem notícias do povoado Descobriu-se a cidade submersa. Todo o povoado se foi, ninguém para contar o desfecho. E a chuva continua

O Fim

As águas estavam calmas naquela manhã de domingo Nem aqueles que temiam a força do mar tiveram receio Mergulharam Sorriram felizes Como nunca antes Eles tinham em quem confiar desta vez E confiaram Não demorou para a água ficar revolta E como antes surgiu o medo Agora sem salvação Eles já estavam longes do litoral Em quem confiar agora? Onde estava ele? Por que se foi? Para onde se foi? Estavam sós e em alto mar Medo e decepção Silêncio e a vida se foi.

Drica

Nem todos viram quando Drica passou pela rua e se despediu  Ela não desejaria ir tão rápido, porém o tempo era o que mais importava naquele momento Temia pelo que não havia terminado Pensava em como poderia melhorar a vida daqueles que esperavam por ela E esperavam por longo tempo Chamaram por seu nome, escreveram-lhe cartas urgentes, mandaram recados aflitos E agora Drica deveria partir As esperanças de quem desejava que ela ficasse diminuiam drasticamente A felicidade se fez presente para aqueles que desejavam a sua partida Nesse momento  Drica pouco se importava com as opiniões de opositores Não, Drica apenas desejava deixar aquele lugar E dar lugar aos seus   Dar-lhes resposta, dar-lhes tranquilidade. Não houve tempo para o adeus de todos Poucos viram sua partida Ninguém presenciaria o seu regresso.

Visitantes

Dizem que eles estão vindo Dizem que se escondem entre nós Que aqui estão para tomar tudo o que possuímos Será Verdade? Eles têm um pacto com nossos semelhantes Dizem que nos escondem a verdade Que logo saberemos, mas será tarde Que tomarão o que é nosso. Será verdade? De suas casas desceram E quanto mais descerão? Para viver em nossas casas?