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A noite

De tão bela, é indescritível Poder-se ia passar todo o tempo tentando definir o quão maravilhoso é olhar um céu estrelado Mas seria tudo em vão. Não deve haver pretensão de saber descrever essa beleza que pouco se conhece   E mesmo houvesse, os adjetivos disponíveis não seriam suficientes É realmente belo o universo. E sua beleza se torna ainda mais impressionante com todo o mistério que a cerca Deve-se, sim, aproveitar todos os momentos e apreciar nossa casa, a Terra e nossos  vizinhos distantes e brilhantes.

O jardim

No jardim de terra fértil havia flores vistosas e belas, que sempre recebiam visita dos melhores polinizadores O jardim ao lado, seco e infestado por ervas daninhas, ressentia-se da falta dos pássaros Ao longo do tempo, percebeu-se que aquela situação desigual criara uma realidade triste Ervas parasitas do jardim infértil cresceram e alcançaram o belo jardim de flores fartas Logo toda a seiva das flores foi sugada pela erva invasora Onde havia harmonia se fez o caos Se ao menos os pássaros tivessem feito algumas visitas ao pobre jardim no passado...

Quando a noite chega

Nas esquinas eles estavam enquanto a noite não chegava Mais tarde, enquanto estavam em casa, algo despertou-lhes a atenção  Ninguém costumava chamá-los àquela hora da noite A casa já estava fechada, eles já iam se recolher, porém ouviram um grito suplicante Eles se entreolharam e lembraram do que um antigo e sábio morador do local havia falado. para que nunca ninguém atendesse um chamado tarde da noite. Que coisas muito ruins podiam acontecer a pessoas boas  E resolveram seguir as recomendações Não abriram a porta, nem responderam ao apelo O chamado cessou após mais três tentativas Eles então resolveram olhar pela janela e um terror tomou conta dos três Viram uma figura sombria deixar o portão, com uma roupa de frade preta e logo entenderam o que o velho sábio sempre dizia O mal existe aqui como em qualquer outro lugar.  E onde houver o bem, lá ele estará

O pedido

A chuva caia mais que o normal naquele final de tarde. Ver o arco-íris já não era mais nenhuma novidade Lembraram-se daqueles tempos de pouca água e pouca esperança. Era difícil não rezar todas as noites para que o líquido sagrado chegasse Agora toda aquela água não fazia mais sentido algum Baldes cheios, poços cheios, lagos cheios. Os lagos já transbordavam Ao olhar para o céu, todo o povoado se perguntava se já não era hora de tudo aquilo terminar  Uns reclamavam, outros esbravejavam, outros ignoravam o que acontecia, assim como ignoravam a falta da água. Assim como ignorariam qualquer outro acontecimento Dez dias de chuva ininterrupta.  Cinco dias de Sol Não importava se o Sol chegava  A chuva teimava em ficar  E se a noite caia, lá estava ela, contrastando com a beleza da lua. O tempo se passou e a chuva continuou Longo tempo sem notícias do povoado Descobriu-se a cidade submersa. Todo o povoado se foi, ninguém para contar o desfecho. E a chuva continua

O Fim

As águas estavam calmas naquela manhã de domingo Nem aqueles que temiam a força do mar tiveram receio Mergulharam Sorriram felizes Como nunca antes Eles tinham em quem confiar desta vez E confiaram Não demorou para a água ficar revolta E como antes surgiu o medo Agora sem salvação Eles já estavam longes do litoral Em quem confiar agora? Onde estava ele? Por que se foi? Para onde se foi? Estavam sós e em alto mar Medo e decepção Silêncio e a vida se foi.