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Respostas

Se perguntassem de onde vinha, ele não respondia Continuava sua longa caminhada em busca das respostas para as peguntas de seus questionadores Nem ele, com todo o seu conhecimento, sabia, ao certo sua missão Apenas lembrava-se que no seu antigo mundo todos viviam mais quietos E não se dirigiam a ele Suas vidas eram ocupadas demais para isso. No seu antigo mundo ele não perguntava Preferia ouvir o que um dia poderiam dizer

A escolha

Viviam juntos na montanha Não ousavam sair de lá Certos estavam de que lá embaixo não encontrariam paz A paz da brisa, a paz da quietude Não, lá não haveria tranquilidade  Muitos de perguntavam: o que fazem lá, sós? Sós estavam, mas felizes viveram E na montanha permaneceram, até o fim de suas vidas Nunca se arrependeram

Alucinações

Via assombrosos olhares que não lhe viam Repudiava as atenções que não lhe davam Jamais entendeu Quão irracional era o desejo de não ser notado De ser invisível para todos Os pesadelos reafirmavam sua certeza E assim ele vivia Aprisionado em seu delírio​

Alívio

Quisera mudar a realidade           Não para todos, não o mundo lá fora                                              Mas sim aquela que só pode ser vivida por quem a deixou nascer Involuntária, criada pelas circunstâncias                               Impossível  acessá-la de modo que pudesse matá-la                                                  Por isso a fez adormecer     

Contrárias

Os olhos querem letras livres, impregnadas de valor facultativo e imaginação  Os dedos correm para falar do imprevisível, do agora não calculável, não culpável, isento de erro Mas dura é a pedra com a qual se deve talhar o amanhã e o que faz dele possível é a palavra que impõe regras, a arraigada de valores, a não passível de versões, a não livre, a enclausurada no abismo do que lhe é posto  São felizes, porém, os olhos quando analisam o que está feito pela métrica do autorizado    Regozijam-se também os dedos ao reproduzir não o que  encanta, se isso impulsiona o amanhã que se precisa ter  A luta é  árdua: o precisar dói, mesmo quando está de acordo com o gostar